Neila Guimarães

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) · Imagem: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Partido aponta 35 medidas de benefício ou apelo popular em 2026, 12 delas durante a campanha, e acusa governo de abuso de poder político

Novo pede cassação da chapa de Lula por medidas em ano eleitoral
Novo pede cassação da chapa de Lula por medidas em ano eleitoral · Imagem: Source: www.metropoles.com

Neila Guimarães

20/10/2026 09:57

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além da inelegibilidade de ambos por oito anos. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi protocolada na segunda-feira (19/10) e acusa o governo federal de abuso de poder político pela adoção de medidas de benefício econômico e apelo popular em ano eleitoral.

A ação tem como base um levantamento do partido que identificou 35 medidas editadas entre 1º de janeiro e 16 de outubro de 2026. O número equivale à soma dos atos apontados pelo Novo nos três anos anteriores: 17 em 2023, quatro em 2024 e 14 em 2025. Das iniciativas deste ano, 12 foram adotadas entre 16 de agosto e 16 de outubro, período da campanha eleitoral.

Para o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, a concentração de medidas no período eleitoral exige uma resposta da Justiça.

“O TSE precisa agir, ou a legislação é letra morta. Benefícios eleitoreiros anunciados nas vésperas do pleito, contas empurradas para o futuro e gastos sem compensação, tudo isso exige responsabilização. A máquina pública não pertence ao presidente, muito menos ao PT, e o dinheiro dos brasileiros não pode ser tratado como combustível para um projeto de poder”, afirmou.

Bolsa Família e combustíveis estão entre as medidas questionadas

Entre os atos citados na ação estão o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, oficializado em setembro, a ampliação dos subsídios aos combustíveis, o programa Desenrola 3.0, a proibição das apostas on-line e o fim da chamada taxa das blusinhas, que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Segundo a petição, o reajuste do Bolsa Família tem impacto estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Já o Desenrola 3.0 autoriza despesas de até R$ 15 bilhões.

O Novo argumenta que a Justiça Eleitoral deve avaliar o conjunto das medidas, o momento em que foram adotadas e seus possíveis efeitos sobre a disputa, em vez de analisar cada iniciativa isoladamente.

A petição também destaca a proximidade entre a implementação de benefícios e as datas de votação. Entre os exemplos citados estão o início do pagamento do Bolsa Família reajustado em 19 de outubro, entre os dois turnos, e a previsão de subsídios ao diesel até 26 de outubro, um dia depois do segundo turno.

Partido questiona R$ 99,7 bilhões em créditos extraordinários

Outro eixo da ação é o financiamento das medidas. De acordo com o levantamento apresentado pelo partido, o governo abriu 13 créditos extraordinários por medidas provisórias em 2026, em um montante aproximado de R$ 99,7 bilhões. Parte dos recursos está relacionada a operações de crédito.

O Novo questiona o uso desse mecanismo, que, segundo a Constituição, deve atender a despesas imprevisíveis e urgentes. Para os subsídios aos combustíveis, foram abertos oito créditos extraordinários, três deles durante a campanha eleitoral.

O líder do Novo na Câmara, deputado Gilson Marques (Novo-SC), afirmou que o volume de recursos levanta dúvidas sobre a responsabilidade fiscal do governo e o uso do dinheiro público.

“Lula está usando o dinheiro dos brasileiros para tentar comprar votos. É sempre assim: o governo promete, gasta e deixa a conta para a população pagar. Não existe dinheiro público de graça. Existe o dinheiro de quem trabalha, produz e paga impostos. Eleição não pode ser um vale-tudo. Quem usa o Estado para obter vantagem eleitoral precisa responder por isso”, declarou.

A petição estima em cerca de R$ 73 bilhões o custo fiscal das 35 medidas consideradas no levantamento até 16 de outubro. Esse valor é distinto dos R$ 99,7 bilhões em créditos extraordinários, que incluem recursos destinados a operações de crédito.

Novo também aciona o TCU

Além da ação no TSE, o partido informou que apresentou uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) para pedir a análise dos efeitos fiscais das medidas. A iniciativa busca apurar se a política de benefícios adotada em ano eleitoral comprometeu o equilíbrio das contas públicas e se houve uso da estrutura estatal em benefício da candidatura à reeleição.

Na Justiça Eleitoral, o Novo pede que Lula e Alckmin sejam notificados para apresentar defesa e, ao final do processo, que os registros ou diplomas da chapa sejam cassados e ambos declarados inelegíveis por oito anos.