Vinicius Passarelli

Aliados próximos ao governador entendem que é "natural" o PSD ter menor peso no segundo mandato de Tarcísio após atritos antes das eleições

Vinicius Passarelli
22/09/2026 04:30
Divulgação/Governo de SP
Aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmam nos bastidores que, em caso de reeleição, o segundo mandato do governador paulista deverá naturalmente ter uma participação menor do PSD de Gilberto Kassab em relação aos últimos quatro anos.
A relação entre Tarcísio e Kassab viveu altos e baixos ao longo do primeiro mandato. Se por um lado Kassab dava sustentação política ao novato governador, por outro, Tarcísio teve de conviver com constantes queixas de aliados de outros partidos de que o presidente do PSD utilizava o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais para favorecer e fazer crescer o próprio partido.
Os atritos aumentaram de vez após o impasse envolvendo a vice da chapa de reeleição, cargo que era almejado por Kassab. O governador decidiu privilegiar seu vice Felício Ramuth e mantê-lo no posto pela recondução. O movimento fez Kassab romper com Ramuth, que foi para o MDB após articulação encabeçada pelo próprio Tarcísio.
A crise não gerou um rompimento. Kassab e o PSD permaneceram na base de apoio do governador para a reeleição. No entanto, se em 2022 a legenda teve papel fundamental na campanha do então desconhecido candidato do Republicanos, agora o PSD tem papel mais lateral dentro do grupo político de Tarcísio, posição reforçada pelo fato de o partido de Kassab ter topado uma empreitada presidencial com Ronaldo Caiado, com o seu presidente nacional ocupando a vice da chapa.
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Com isso, de acordo com aliados próximos a Tarcísio, o próximo mandato, caso se confirme o favoritismo do governador na disputa com o petista Fernando Haddad, terá menos espaço para o PSD, que não significa que a legenda terá “porteira fechada” na gestão.
“O PSD é importante para o projeto. O Tarcísio não aceita negociar espaço com nenhum partido, o que não quer dizer que dependendo dos nomes sugeridos possam ser aproveitados”, disse um político do entorno do governador. Apesar disso, ele reconhece que o grupo de Kassab deve reduzir sua importância dentro do Palácio dos Bandeirantes.
No atual mandato, além do próprio Kassab e de Ramuth, que depois trocou de partido, outros nomes do PSD ocuparam posições estratégicas dentro da gestão, como Eleuses Paiva (Saúde), Marcelo Branco (Habitação) e Guilherme Afif Domingos (Projetos Estratégicos). Já Renato Feder (Educação) e Marília Marton (Cultura), embora não sejam filiados ao PSD, são considerados da “cota Kassab”.
Enquanto rolam as especulações, aliados de Kassab monitoram à distância a situação. Um correligionário próximo ao dirigente partidário pondera que o PSD deve fazer uma bancada em torno de 12 cadeiras na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o que dificultará um movimento drástico de Tarcísio para “escantear” seu antigo homem forte.
“O partido, se der tudo errado, faz 12 cadeiras. Eu acho que vai fazer 14. O cara não vai pegar 15% da Alesp e jogar no lixo. Eu acho muito difícil”, avaliou o político.
