Fábia Oliveira

Foto colorida do papa vestido de branco segurando Nossa Senhora Aparecida - Metrópoles.
Foto colorida do papa vestido de branco segurando Nossa Senhora Aparecida - Metrópoles. · Imagem: Reprodução / Redes Sociais

Sabina Aleixo explica as características do adenocarcinoma pulmonar, os exames para identificar a doença e fomo é o tratamento

Papa Leão XIV: médica explica diagnóstico de câncer e chances de cura - destaque galeria
Papa Leão XIV: médica explica diagnóstico de câncer e chances de cura - destaque galeria · Imagem: Source: www.metropoles.com

Fábia Oliveira

Foto colorida do papa vestido de branco segurando Nossa Senhora Aparecida
Foto colorida do papa vestido de branco segurando Nossa Senhora Aparecida · Imagem: Source: www.metropoles.com

14/10/2026 16:50, atualizado 14/10/2026 16:52

Falas de Tajani chegaram a ser pauta na Conferência Episcopal Italiana (CEI)
Falas de Tajani chegaram a ser pauta na Conferência Episcopal Italiana (CEI) · Imagem: Source: www.metropoles.com

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O diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar do papa Leão XIV chamou a atenção para um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão. O pontífice, de 70 anos, passou por uma cirurgia para a retirada do lobo inferior do pulmão direito, realizada na terça-feira (13/10), após exames indicarem a presença de uma lesão suspeita. Segundo o Vaticano, a operação foi concluída sem complicações.

Papa Leão XIV: médica explica diagnóstico de câncer e chances de cura
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Mas o que caracteriza esse tipo de tumor? Quais são as possibilidades de tratamento e o que determina as chances de recuperação? Para esclarecer essas dúvidas, a médica oncologista Sabina Aleixo explica as principais características da doença, os exames utilizados no diagnóstico e os fatores que influenciam o prognóstico.

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Papa Leão XIV recebe apoio de centenas de pessoas ao chegar a hospital

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O que é o adenocarcinoma pulmonar?

O adenocarcinoma é o tipo mais frequente de câncer de pulmão e pode atingir tanto fumantes quanto pessoas que nunca tiveram contato com o cigarro. Embora o tabagismo continue sendo um dos principais fatores de risco, a doença também pode estar associada a fatores genéticos e à exposição a agentes cancerígenos.

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“O adenocarcinoma é o tipo mais frequente de câncer de pulmão. Quando falamos nessa doença, quase sempre fazemos uma associação imediata com o cigarro, que realmente continua sendo o principal fator de risco. Mas é importante destacar que o câncer de pulmão também pode surgir em pessoas que nunca fumaram. Na prática clínica, atendemos pacientes sem histórico de tabagismo, especialmente mulheres, que recebem esse diagnóstico. Nesses casos, podem estar envolvidos fatores genéticos, exposição à poluição ambiental, ao fumo passivo e a outras substâncias cancerígenas. Outro aspecto importante é que, nas fases iniciais, o tumor pode não provocar sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce”, disse a médica.

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Como é feito o diagnóstico?

A confirmação da doença depende de exames que permitem identificar a lesão, analisar o tecido suspeito e verificar se o tumor está restrito ao pulmão ou se atingiu outras partes do organismo. A avaliação das características moleculares também pode ajudar a definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

“A tomografia do tórax geralmente é o exame que identifica uma lesão suspeita, mas precisamos da biópsia para confirmar o diagnóstico. Depois, avaliamos se a doença está restrita ao pulmão ou se atingiu outras regiões do organismo. Para isso, podemos utilizar exames como PET-CT e ressonância do cérebro. Hoje, também é muito importante estudar as características moleculares do tumor, porque algumas alterações genéticas permitem utilizar medicamentos específicos, que atuam diretamente nas células cancerígenas. Esse conhecimento mudou bastante a forma como tratamos o câncer de pulmão”, explicou Sabina.

Estágio da doença influencia o tratamento

O estágio do câncer é um dos principais fatores considerados pela equipe médica na definição da estratégia terapêutica. Quando o tumor está localizado, a cirurgia pode representar uma possibilidade de cura. Em situações mais avançadas, outras abordagens podem ser indicadas, dependendo das características da doença.

“O estágio da doença é um dos principais fatores que orientam nossas decisões. Quando o câncer está localizado, a cirurgia pode oferecer uma possibilidade real de cura. Dependendo das características do tumor, podemos associar quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo antes ou depois da operação, buscando reduzir o risco de a doença retornar. Já quando o câncer está mais avançado, o tratamento depende muito das características biológicas do tumor. Atualmente, temos medicamentos que conseguem controlar a doença por períodos prolongados, inclusive em pacientes com metástases”, falou a especialista.

Retirar parte do pulmão significa que o câncer é grave?

Segundo Sabina, a necessidade de uma cirurgia não determina, por si só, a gravidade do câncer. A extensão do procedimento depende de fatores como o tamanho e a localização do tumor, além das condições respiratórias do paciente. No caso do papa Leão XIV, a definição do prognóstico depende da avaliação médica e dos resultados dos exames realizados após a operação.

“Não necessariamente. A retirada de parte do pulmão pode fazer parte do tratamento de tumores diagnosticados em fases iniciais, quando existe possibilidade de cura. A extensão da cirurgia depende do tamanho e da localização da lesão, além da capacidade respiratória do paciente. Muitas pessoas conseguem recuperar bem a função respiratória e retomar suas atividades habituais. É importante lembrar que a realização de uma cirurgia, isoladamente, não permite determinar a gravidade de um câncer. Precisamos conhecer o resultado da análise do tumor e o estágio da doença”.

Quais fatores influenciam a recuperação?

Além do estágio do câncer, as condições gerais de saúde e as características individuais de cada paciente são consideradas na avaliação das chances de recuperação. Segundo a médica, a idade, isoladamente, não determina o prognóstico nem impede a realização de tratamentos.

“Além do estágio do câncer, avaliamos as condições gerais de saúde, a função pulmonar, a presença de outras doenças e as características do próprio tumor. A idade, isoladamente, não determina o prognóstico nem impede a realização de tratamentos. Temos pacientes idosos que apresentam excelentes condições clínicas e toleram muito bem uma cirurgia ou um tratamento oncológico. Cada paciente precisa ser avaliado individualmente, considerando não apenas a doença, mas também sua capacidade de recuperação”, explicou ela.

Adenocarcinoma pulmonar tem cura?

Segundo Sabina, sim. As possibilidades de cura são maiores quando a doença é identificada nas fases iniciais. Nos casos avançados, os avanços da oncologia também ampliaram as opções terapêuticas e as possibilidades de controle da doença.

“Sim, principalmente quando diagnosticado nas fases iniciais. E mesmo nos casos mais avançados, tivemos uma evolução muito importante nos últimos anos. A imunoterapia e as terapias-alvo transformaram o tratamento do câncer de pulmão, permitindo que muitos pacientes vivam por mais tempo e com boa qualidade de vida. É uma doença que ainda exige muita atenção, mas hoje temos possibilidades terapêuticas que não existiam há dez ou quinze anos. Por isso, sempre reforço que o diagnóstico de câncer de pulmão não deve ser encarado automaticamente como uma sentença de morte. O estágio da doença e as características do tumor fazem toda a diferença”, detalhou.