Como tirar melhor proveito dos wearables para a saúde?

O smartwatch detectou batimentos acelerados: e agora? Devo ir ao pronto-socorro?
O smartwatch detectou batimentos acelerados: e agora? Devo ir ao pronto-socorro? · Imagem: Source: www.estadao.com.br

Relógios inteligentes, anéis e outros sensores geram diversos dados, mas, sozinhos, eles não fazem diferença. Crédito: Estadão

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Gerando resumo

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Os wearables, como são chamadas as tecnologias vestíveis, têm se tornado cada vez mais populares, com destaque para os relógios inteligentes. Eles prometem, por meio de sensores, acompanhar diferentes parâmetros do organismo, como batimentos cardíacos, qualidade do sono e número de passos ao longo do dia.

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Quando os aparelhos entendem que determinados dados de saúde dos usuários apresentam alguma inconformidade, como batimentos acelerados, eles podem inclusive emitir um sinal de alerta. E, segundo Alexandre Abla, cardiologista do Hospital do Coração (Hcor), cada vez mais pacientes chegam aos atendimentos de emergência por conta justamente desse tipo de notificação.

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De acordo com ele, o comportamento é mais comum entre homens adultos de 30 a 50 anos. Mas esses alertas de palpitação são, de fato, motivo para ir ao pronto-socorro?

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Relógios inteligentes estão cada vez mais populares e informam diversos dados referentes à saúde Foto: sitthiphong/Adobe Stock

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Depende. A decisão de ir ao pronto-socorro após um alerta deve variar de acordo com o contexto de cada paciente. Segundo Abla, indivíduos com histórico clínico ou familiar relevante de infarto e arritmias devem procurar o hospital o mais rápido possível. “Mas, se não houver histórico tão importante, o alerta isolado não representa a necessidade de buscar a emergência de imediato”, detalha.

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Nessas situações, Abla indica opções como uma avaliação por teleconsulta, caso o paciente tenha acesso a esse tipo de serviço, ou o agendamento de uma consulta presencial.

Aparelhos não diagnosticam doenças

Abla estima que, entre aqueles que buscam atendimento de emergência após alertas relacionados ao ritmo cardíaco, cerca de 60% a 70% apresentam alguma arritmia confirmada posteriormente.

Isso, no entanto, não significa que os aparelhos devem ser usados como única fonte de evidência. Segundo Diandro Mota, cardiologista e assessor de comunicação científica da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), eles chamam a atenção para um sinal que pode exigir investigação, mas não confirmam doenças.

Café em excesso, estresse, privação de sono, ansiedade e desidratação, por exemplo, também podem provocar taquicardia, uma aceleração do ritmo normal do coração. Além disso, os dispositivos podem gerar registros inadequados se estiverem frouxos ou mal adaptados.

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Na mesma linha, em agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre esses tipos de aparelhos. A entidade destacou que eles podem ajudar no acompanhamento de indicadores de saúde, mas os resultados exibidos não substituem exames nem avaliações profissionais.

Da mesma forma, um resultado considerado normal pelo dispositivo não é suficiente para descartar um problema de saúde.

Boas aplicações

Os wearables, no entanto, podem ajudar na prática clínica. Mota cita que os aparelhos permitem um acompanhamento de longo prazo, já que o paciente tende a vestir os dispositivos no dia a dia.

Segundo Mota, o eletrocardiograma tradicional de consultório, por outro lado, capta uma amostragem muito pequena da rotina do paciente. “Uma pessoa tem uma frequência cardíaca média de 70 batimentos cardíacos por minuto. Ao longo do ano, ela vai ter 36 milhões de batimentos. É muito diferente interpretar o que está acontecendo com o paciente com uma amostra tão pequena em comparação com a realidade dele”, destaca.

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A Associação Americana de Cardiologia (AHA) orienta que pacientes compartilhem seus dados de wearables com os profissionais de saúde para que contribuam para a investigação de fibrilação atrial, o tipo mais comum de arritmia cardíaca.

“O que a gente precisa é de uma educação por parte dos profissionais da saúde para que eles aprendam a interpretar e orientar esses dados, assim como o paciente deve ser orientado quanto às limitações desses dispositivos”, pontua Mota.

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Embora as chamadas tecnologias vestíveis possam ajudar a ampliar a consciência sobre comportamentos, favorecer mudanças de comportamento e apoiar profissionais de saúde na condução de certos quadros, especialistas pedem cautela no uso das métricas.

“A quantificação da saúde traz uma sensação de objetividade, mas pode induzir a uma ilusão de controle”, explicou Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Saúde Mental e Bem-Estar, em reportagem recente do Pulsa. “E nem tudo que é relevante clinicamente é mensurável, e nem tudo que é mensurável é clinicamente relevante”, destacou.

“A tecnologia pode ser uma ferramenta de autoconhecimento, desde que não se torne fonte de ansiedade. Se gerar culpa, comparação ou perfeccionismo, vale se perguntar: isso está ampliando minha consciência ou estreitando minha liberdade? Nenhum relógio substitui a capacidade de sentir o próprio corpo. Cuidar da saúde não é se vigiar. É se escutar”, também enfatizou a endocrinologista Alessandra Rascovski.