Mirelle Pinheiro

Segunda fase da Operação Lívia foi deflagrada nesta terça-feira (15/9) para aprofundar investigação sobre a estrutura criminosa

Letícia Guedes
15/09/2026 11:19
Divulgação/PCMS
As investigações que basearam a Operação Lívia, que teve a primeira fase deflagrada em agosto deste ano e a segunda nesta terça (15/9), avançaram e possibilitaram a identificação da prática denominada “escravidão digital”.
Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o termo é utilizado para descrever uma dinâmica de coerção, chantagem e controle exercida no ambiente virtual, na qual vítimas são submetidas a ameaças e pressões para cumprir determinações dos integrantes desses grupos, inclusive relacionadas à automutilação e a outros atos de violência.
A ação policial teve origem na investigação sobre a morte de uma adolescente de 13 anos que, segundo as apurações, teria sido submetida, por meio de plataformas digitais, a práticas de coerção e indução à automutilação. Ela tirou a própria vida.
A partir dos elementos obtidos na primeira fase, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), auxiliou as investigações na análise de provas digitais e na identificação de novos suspeitos, incluindo pessoas que teriam atuado na administração e moderação de comunidades virtuais utilizadas para abordar, coagir e chantagear vítimas em situação de vulnerabilidade.
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A nova fase é resultado do aprofundamento das investigações iniciadas na primeira etapa da operação. Com as novas identificações, a segunda fase busca aprofundar a investigação sobre a estrutura e a atuação desses grupos, interromper suas atividades e localizar possíveis vítimas que necessitem de proteção e acompanhamento pelos órgãos competentes.
Além do cumprimento das medidas judiciais, a operação busca identificar outras crianças e adolescentes que possam estar sendo vítimas de chantagem, coerção, “escravidão digital” ou indução à prática de violência e automutilação, para que sejam encaminhados à rede de proteção.
A operação
Nesta terça (15), são cumpridos seis mandados de busca e apreensão domiciliar e seis medidas cautelares de busca e apreensão envolvendo adolescentes, nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo e no Distrito Federal.
Suspeitas de crimes praticados no ambiente digital podem ser comunicadas às delegacias especializadas em crimes cibernéticos ou às demais unidades da Polícia Civil nos estados.
Operação Lívia
O nome da operação homenageia a memória de Lívia, adolescente de 13 anos cuja morte deu origem às investigações.
A continuidade das apurações busca identificar os envolvidos, interromper a atuação das comunidades investigadas, proteger possíveis vítimas e promover a responsabilização dos autores, observadas as atribuições das autoridades policiais e do Poder Judiciário.

