Publicação com dados de prontuário médico ultrapassou 100 mil visualizações

24 set 2026 - 18h12

(atualizado às 18h36)

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- Por: Redação Terra

Postagem foi apagada posteriormente

Foto: Reprodução/@adrianarbraga/X

Um médico residente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP) gerou repercussão nas redes sociais ao compartilhar uma imagem de um prontuário médico em tom de reclamação sobre um paciente com sobrepeso atendido na instituição.

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A publicação foi feita em 21 de setembro e ultrapassou 100 mil visualizações antes de ser apagada. Na postagem, o profissional apresenta informações sobre o peso, o índice de massa corporal (IMC) e a altura do paciente. Na legenda, escreveu "isso aqui é uma amostra para vocês entenderem com o que lidamos aqui no Hospital das Clínicas".

Segundo a advogada especialista em direito médico Luciana Castro, dados de saúde do paciente só podem ser compartilhados mediante autorização prévia do paciente. "E essa autorização precisa vir com termo de autorização", destaca ao Terra.

Em casos de rede social, como houve compartilhamento de dados sensíveis, a atitude atenta contra as disposições do código de ética e contra a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). "Pode ser aberta a sindicância e depois o processo ético em desfavor do médico no conselho regional em que ele estiver inscrito". A advogada aponta que o processo abrange penalidades desde advertência à cassação e suspensão de atividades.

Não é porque o paciente não foi identificado nominalmente que está tudo bem. Médico não deveria transformar situações vivenciadas durante um plantão em conteúdo para rede social, especialmente quando envolve um paciente.

A conduta foi questionada, o CRM acabou exposto e, depois… pic.twitter.com/nfB31jPmB8
— Drica ❤☕ (@adrianarbraga) September 22, 2026
"Tem implicações civis e criminais. O paciente pode se sentir contrangido e entrar com ação por danos morais. [...] Criminalmente, pode [entrar com ação] por violação de sigilo médico".
Procurado pelo Terra, o HCFMRP-USP afirmou que tomou conhecimento do episódio e repudiou a conduta do residente. Embora a identidade do paciente não tenha sido revelada, a instituição considerou a publicação inadequada e incompatível com a postura do HC.
"Embora não tenha ocorrido exposição de identidade, a publicação é inadequada e não condiz com a postura profissional preconizada por esta instituição", informou o hospital, que acrescentou estar adotando medidas para que o conteúdo seja retirado das redes sociais e o comportamento não se repita.
O Terra também questionou a instituição sobre as regras para compartilhamento de informações de pacientes e as medidas adotadas especificamente contra o residente, mas não obteve retorno sobre esses pontos.
Fonte: Portal Terra
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