A profissão dos guardadores autônomos de veículos — popularmente conhecida como “flanelinha” — pode estar com os dias contados em algumas regiões do país. A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou no início de setembro o Projeto de Lei 702/2026 , que estabelece multa de R$ 1.000 para esta atuação em vias públicas da capital mineira. A atividade é reconhecida por lei federal há mais de 50 anos. O texto recebeu 31 votos favoráveis e sete contrários, e prevê que o valor seja cobrado em dobro em caso de reincidência. Vale lembrar que o texto ainda aguarda votação definitiva — o que é curioso, já que a cidade já proíbe a atividade conduzida em áreas públicas. O que muda é que, agora, a proposta cria uma infração específica para enquadrar a simples solicitação de pagamento, cobrança ou reserva de vagas, mesmo sem ameaça ou extorsão . O movimento reacende o debate sobre os limites das regras municipais frente à Lei Federal nº 6.242/1975 , que reconhece e regulamenta o exercício da profissão no país há mais de cinco décadas. Por outro lado, um decreto de 1977 regulamentou a norma, sem permitir que os profissionais possam cobrar livremente pelo serviço e ocupar qualquer via. Proibição de flanelinhas Para completar, o cenário regulatório varia amplamente entre as capitais brasileiras: enquanto Porto Alegre aplica sanções financeiras e proíbe terminantemente a atividade em logradouros públicos com base em legislação local, São Paulo prevê multa de R$ 1.500 apenas para casos de coação ou fixação forçada de preços — dispositivo que, contudo, nunca foi aplicado por falta de regulamentação. A disparidade nas regras urbanas levou a controvérsia ao Supremo Tribunal Federal (STF) . O tribunal analisa, sob o regime de repercussão geral , se municípios e estados têm competência constitucional para proibir ou restringir o trabalho dos guardadores, determinando se a regulação do uso do espaço público pode se sobrepor a uma profissão respaldada pela legislação federal. Aproveite para conferir nossa matéria que explica se é a lei libera [object Object] ou em frente de casa !






