Capital bateu recorde de escrituras de imóveis; cidades afastadas da metrópole que ganharam moradores durante a pandemia registram queda

12 out 2026 - 04h57

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- Por: Davi Valadares

Foram registradas 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis na capital no ano passado

Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

O fim do home office, iniciado em 2023 e consolidado ao longo dos últimos três anos na maioria das empresas, tem contribuído para alterar a dinâmica do mercado imobiliário em São Paulo. A capital paulista registrou em 2025 o maior volume de compra e venda de imóveis de sua história. Por outro lado, cidades do interior e da região metropolitana que ganharam força durante a pandemia, impulsionadas pela expansão do trabalho remoto, perderam parte do movimento nos últimos anos.

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Um levantamento do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), que representa os tabeliães de notas, mostra que foram registradas 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis na capital no ano passado. O número representa crescimento de 49,6% em relação a 2020, primeiro ano da pandemia.

Na direção oposta, municípios que se tornaram destinos de pessoas em busca de casas maiores, condomínios e mais espaço durante o auge do trabalho remoto registraram queda no número de escrituras entre 2021 e 2025. Itupeva teve redução de 57%; Cotia, de 41%; Indaiatuba, de 36%; e Atibaia, de 31%.

Para a presidente do CNB/SP, Ana Paula Frontini, o fim do trabalho remoto pode ter influenciado algumas escolhas de mudanças, mas não podem ser explicadas exclusivamente por isso.

“O retorno ao presencial pode influenciar as escolhas, mas os números precisam ser analisados também à luz do crédito, da renda, da oferta de imóveis e da dinâmica econômica de cada cidade.”

Daniele Malafronte, especialista em recursos humanos, lembra que o trabalho remoto começou a recuar a partir de 2023, quando grandes empresas passaram a exigir o retorno aos escritórios.

“O trabalho remoto começou a perder força em 2023, com empresas de referência em gestão, como Google e Meta, retomando o presencial. A tendência se manteve nos anos seguintes e chegamos em 2026 restando menos de 5% de empresas operando no modelo home office.”
De acordo com a especialista, atualmente, 4 em cada 10 mantém o formato híbrido, porém com regras e escalas fixas, o que impossibilita não residir próximo ao local de trabalho.
Exigência do empregador
O estudo A Experiência Laboral 2026 no Brasil, realizado pela WeWork em parceria com a consultoria Offerwise com 2.500 profissionais de todo o País, mostra que 63% dos entrevistados trabalham atualmente de forma presencial. Entre eles, 79% dizem que a presença no escritório é uma exigência do empregador.
Quando a escolha é livre, porém, apenas 42% afirmam que optariam pelo modelo presencial. O restante prefere dividir a jornada entre o escritório e a casa ou trabalhar integralmente de forma remota.
O principal obstáculo ao retorno voluntário não está necessariamente no ambiente profissional, mas no deslocamento. Segundo a pesquisa, 65% dos entrevistados apontam o tempo gasto no trajeto como a principal dificuldade, enquanto 53% citam o aumento dos gastos pessoais provocado pela necessidade de ir ao escritório.
As condições dos próprios ambientes corporativos também pesam. Áreas barulhentas são uma reclamação para 57% dos profissionais, enquanto 53% citam a falta de espaços de descanso.
O levantamento indica ainda que a qualidade de vida passou a ter peso relevante nas decisões profissionais. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é considerado fundamental por 93% dos entrevistados.
Para Malafronte, o modelo híbrido aparece como uma alternativa intermediária diante desse cenário.
“Os estudos já apontam que o retorno ao presencial não resultou no aumento de produtividade e gerou efeito negativo no engajamento e na atração de novos talentos. A alternativa do híbrido tem se mostrado um bom caminho do meio, pois traz a pessoa para o ambiente de trabalho, facilitando o aculturamento e a troca com colegas e também diminui o tempo semanal gasto com deslocamentos, principal dor relatada por quem precisa comparecer todos os dias no escritório”, afirma.
Dados da Robert Half, empresa internacional de consultoria de recursos humanos, mostram que a construção civil e a engenharia aparecem entre as áreas com maior presencialidade, com equipes corporativas trabalhando, em média, 4,8 dias por semana no escritório. Já o setor de serviços apresenta maior flexibilidade, com média de 3,3 dias presenciais.
Fonte: Portal Terra
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