Até o final do mês de agosto deste ano, o Programa Acolher Eles e Elas, de proteção a órfãos do feminicídio, registrou acolhimento de 199 crianças e adolescentes do Distrito Federal. O programa chama atenção em meio ao feminicídio ocorrido em 7 de Setembro, no Itapoã (DF), onde a filha do casal, de 4 anos, presenciou o pai, Anderson Gonçalves, assassinando a mãe Flávia Gomes da Silva, a facadas, na sua frente.Flávia voltava do mercado acompanhada da filha quando foi esfaqueada pelo companheiro e pai da criança. Segundo testemunhas, a criança gritava enquanto o crime era executado.O assasissino ainda teria mandado a própria filha correr antes de desferir as facadas.A governadora Celina Leão, em agenda de campanha na quarta-feira (9/9), comunicou que a criança está sendo amparada pelo programa da Secretaria da Mulher (SMDF), destinado a filhos das vítimas de feminicídio. Leia também Na MiraFeminicídio no DF: filha identifica mulher morta e queimada em chácara Distrito FederalCelina sobre feminicídios ocorridos nesta semana: “A denúncia é o caminho” Matheus LeitãoO projeto sobre filhos de vítimas de feminicídio abandonados pelo Estado Como funciona a assistênciaA violência contra as mulheres vai além das vítimas diretas, e atinge diretamente a infância. A fim de oferecer amparo mínimo para esses órfãos diante da perda, o programa Acolher Eles e Elas oferece um salário mínimo no valor de R$ 1.621 a cada criança ou adolescente que perdeu a mãe para o feminicídio, além de acompanhamento psicossocial pela Secretaria da Justiça e Cidadania.Para ser contemplado pelo programa, é necessário:ter até 21 anos;morar no Distrito Federal por pelo menos 2 anos;estar em situação de vulnerabilidade social;estar matriculado em uma instituição de ensino;o feminicídio ter ocorrido a partir de 2015, com boletim de ocorrência ou sentença judicial com a qualificação do crime ocorrido no DF;termo de tutela ou guarda provisória/definitiva oficializada, caso seja criança ou adolescente.O processo para registro no programa é feito pela Secretaria da Mulher, com busca ativa pelos filhos da vítima logo após o registro do feminicídio. Com a identificação, é feita a análise e aprovação dos pedidos de benefício.O primeiro contato pode ser estabelecido com a pasta através dos telefones (61) 3181-1471, e pelo WhatsApp (61) 98312-0700. São informados, então, os documentos necessários para o registro e o atendimento presencial, na sede da SMDF, no anexo do Palácio do Buriti.De dezembro de 2023 até o dia 9 de setembro de 2026, 225 filhos e filhas de mulheres que foram vítimas de feminicídio passaram ou estão no programa.Para auxiliar na referência com as datas, a lei que estabelece medidas de assistência financeira e psicossocial para esses jovens está instituiída desde 1º de Setembro de 2023, e regulamentada por decreto de 8/12/2023.Dos 199 órfãos que atualmente estão com cadastro ativo, 37 têm de 18 a 21 anos, e 162 têm entre 1 a 17 anos. Os principais cuidadores dessas crianças são avós (70), 37 pais que não cometeram o crime, 30 tias, 13 irmãos, 4 tios, 3 avôs e 2ª mãe, padrinho e prima com uma pessoa em cada categoria.Quando analisado por idade de órfãos cadastrados no programa, os dados chamam atenção para crianças de 7 a 12 anos, com 70 cadastrados, seguido por 66 jovens de 13 a 17 anos, 37 maiores de idade – 18 a 21 anos – e 26 na primeira infância – de 0 a 6 anos.Presença dos filhos em agressões contra mãesDo total de casos de violência doméstica registrados no Distrito Federal entre novembro de 2024 e de 2025, em 58,3% das ocorrências os filhos ou enteados presenciaram as agressões.Esse dado foi divulgado pelo Panorama da Violência contra a Mulher no DF, produzido pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Mulher.Assim como mostra a quantidade de crianças contempladas pelo programa, o caso recente que chocou o Distrito Federal, em que a filha do casal Anderson Gonçalves e Flávia Gomes da Silva assistiu o pai matar a própria mãe a facadas não é isolado.O feminicida Janilson Quadros de Almeida matou, na frente dos filhos, a servidora pública federal Daniella Di Lena Pelaes de Almeida, enquanto a vítima dormia na prórpria casa.Uma das crianças, com 10 anos à época do crime, saiu do quarto, escondeu outras facas da casa temendo que o pai atacasse ele, os irmãos ou a funcionária, e saiu para pedir ajuda ao segurança do condomínio.

Ilustração de homem com as mãos em ombro de menina com medo
Ilustração de homem com as mãos em ombro de menina com medo · Imagem: Yanka Romão/Metrópoles
DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa
DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa · Imagem: Source: www.metropoles.com
DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa
DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa · Imagem: Source: www.metropoles.com
DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa
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DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa
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DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa
DF: criança que viu feminicídio se soma a 199 órfãos acolhidos por programa · Imagem: Source: www.metropoles.com