Se você já passou pelo estresse de entrar na fila virtual para um show no exato segundo em que as vendas abriram e, dois minutos depois, deu de cara com a mensagem de “ingressos esgotados”, saiba que você não está sozinho. A frustração é global.A Polícia Metropolitana de Gyeonggi Norte, na Coreia do Sul, prendeu um homem na casa dos 30 anos acusado de operar um dos maiores esquemas de revenda ilegal de ingressos do país. Ao todo, o suspeito adquiriu quase 9 mil entradas para shows de K-pop, eventos esportivos e musicais, faturando cerca de 2,4 bilhões de won (aproximadamente R$ 9 milhões) entre setembro de 2018 e abril de 2026.Para burlar o sistema das bilheterias virtuais, o investigado utilizava programas de automação (conhecidos como macros ou bots) e contas registradas no nome de sete parentes. Capazes de escanear sites centenas de vezes por segundo, preencher dados de pagamento instantaneamente e esgotar estoques num piscar de olhos, esses softwares garantiam a compra em lote de ingressos disputadíssimos em questão de milissegundos. O lucro sobre os fãs que não conseguiam garantir o acesso pelos meios oficiais foi brutal:As investigações apontam que a revenda ilícita era a única fonte de renda do suspeito desde que ele saiu da faculdade. Para disfarçar a movimentação milionária em suas contas bancárias e não chamar a atenção das autoridades financeiras, ele chegou a abrir uma empresa fantasma no setor de e-commerce.Com lucro estimado em 1,6 bilhão de won, o homem comprou um apartamento e dois imóveis comerciais na província de Gyeonggi.Em abril deste ano, ao saber que a polícia havia desmantelado uma rede online com mais de 1.300 cambistas, ele encerrou a empresa e formatou computadores e celulares para apagar as provas. A perícia digital, no entanto, conseguiu recuperar os arquivos.Em depoimento à polícia, o suspeito, que não teve a identidade divulgada para a imprensa, tentou se defender de forma inusitada: “Eu não sabia que vender ingressos era ilegal, paguei meus impostos e não machuquei ninguém.”O caso acendeu o alerta máximo das autoridades sul-coreanas em relação ao impacto das redes ilegais de revenda na indústria do entretenimento. A polícia já conseguiu o bloqueio judicial dos bens e das contas do investigado para garantir o confisco do dinheiro fruto do crime.Em agosto deste ano, entrou em vigor no país uma revisão rigorosa da Lei de Espetáculos Públicos. A nova legislação criminaliza expressamente qualquer revenda ilegal de ingressos com margens abusivas, independentemente do uso de softwares automatizados ou robôs, estabelecendo multas que podem chegar a 50 vezes o valor do bilhete original.Tanto na Coreia quanto no Brasil, o grande vilão do fã de música atende pelo mesmo nome: software de automação, ou simplesmente bots e macros.Com a alta demanda de eventos ao vivo, países ao redor do mundo tem endurecido a luta contra o cambismo. O Brasil ainda lida com lacunas na Lei dos Crimes contra a Economia Popular, que abrange práticas comerciais abusivas e o governo procura formas de lidar com o crescimento do mercado paralelo. Um decreto assinado no fim de agosto atinge diretamente o mercado secundário de vendas de ingressos na internet. Com as novas regras, as empresas ticketeiras serão obrigadas a adotar mecanismos de segurança para bloquear compras automatizadas e especulativas.✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














