An Introduction to Animals and Political Theory é um livro didático de 2010 do teórico político britânico Alasdair Cochrane. É o primeiro livro da série Animal Ethics Series da editora Palgrave Macmillan, organizada por Andrew Linzey e Priscilla Cohn. O livro de Cochrane examina cinco escolas de teoria política - utilitarismo, liberalismo, comunitarismo, marxismo e feminismo - e suas respectivas relações com questões concernentes aos direitos dos animais e ao status político dos animais (não humanos). Cochrane conclui que cada tradição tem algo a oferecer a essas questões, mas apresenta, em última instância, sua própria concepção de direitos animais baseados em interesses como preferível a qualquer outra. Sua abordagem, embora se baseie em todas as tradições examinadas, fundamenta-se principalmente no liberalismo e no utilitarismo. O livro foi resenhado positivamente em diversas publicações acadêmicas. O filósofo político Steve Cooke afirmou que a abordagem própria de Cochrane era promissora e que o livro teria se beneficiado de um maior espaço dedicado a ela. Robert Garner, teórico político, elogiou a síntese de Cochrane de uma literatura tão vasta, mas argumentou que a obra era demasiadamente acrítica em relação ao conceito de justiça tal como poderia se aplicar aos animais. A concepção de direitos baseados em interesses para animais de Cochrane foi posteriormente desenvolvida com maior extensão em seu livro de 2012 Animal Rights Without Liberation, publicado pela Columbia University Press. An Introduction to Animals and Political Theory foi um dos primeiros livros a explorar os animais sob a perspectiva da teoria política e tornou-se parte consolidada de uma literatura crítica à negligência histórica do tema.

Contexto e publicação Nas décadas de 1990 e 2000, Alasdair Cochrane estudou ciência política na Universidade de Sheffield e na London School of Economics (LSE). Sua tese de doutorado, orientada por Cécile Fabre e com Paul Kelly como conselheiro, intitulava-se Moral obligations to non-humans. Posteriormente, Cochrane tornou-se pesquisador e professor na LSE. Durante esse período, publicou artigos nas revistas Res Publica, Utilitas e Political Studies apresentando aspectos de sua teoria de direitos animais baseada em interesses, teoria essa que é defendida no capítulo final de An Introduction to Animals and Political Theory. O livro foi o primeiro de Cochrane, e o teórico político Robert Garner atuou como importante interlocutor durante o processo de escrita. An Introduction to Animals and Political Theory foi publicado pela primeira vez no Reino Unido em 13 de outubro de 2010 pela Palgrave Macmillan, nos formatos brochura, capa dura e e-book. Foi o primeiro livro a integrar a Palgrave Macmillan Animal Ethics Series, uma parceria entre a Palgrave Macmillan e o Ferrata Mora Oxford Centre for Animal Ethics. Os editores gerais da série são Andrew Linzey e Priscilla N. Cohn. Com enfoque interdisciplinar, a Palgrave Macmillan Animal Ethics Series tem como objetivo explorar os desafios práticos e conceituais colocados pela ética animal.

Sinopse

An Introduction to Animals and Political Theory começa por discutir a história dos animais na teoria política, antes de considerar as abordagens adotadas por cinco escolas de teoria política em relação ao status dos animais: utilitarismo, liberalismo, comunitarismo, marxismo e feminismo. O capítulo final apresenta a própria abordagem de Cochrane, que ele situa entre o liberalismo e o utilitarismo.

Capítulos iniciais Cochrane define o livro como uma obra de teoria política normativa, indagando em que medida os animais devem ser incluídos no domínio da justiça. Os Estados podem e de fato regulam as relações humano-animal, seja quando os animais são utilizados na agricultura, como animais de estimação ou de alguma outra forma. O foco de Cochrane não está nas razões pelas quais leis são aprovadas ou na comparação entre legislações, mas na exploração do tipo de leis que deveriam ser aprovadas. Como seu enfoque é a teoria política, ele se preocupa menos com questões de obrigações morais individuais do que com arranjos institucionais. Observa, no entanto, que as questões relativas aos animais têm sido negligenciadas na teoria política. No segundo capítulo, Cochrane examina a história do pensamento sobre a relação entre justiça e animais. Argumenta que, na filosofia antiga, havia divergência quanto à inclusão dos animais nas concepções de justiça; na filosofia cristã medieval, havia um consenso em favor de sua exclusão; e na filosofia moderna, houve um retorno à divergência.

Utilitarismo O terceiro capítulo trata do utilitarismo, segundo o qual a correção ou incorreção de uma ação é determinada pela medida em que ela promove a utilidade - conceito equiparado, pelos utilitaristas clássicos, ao prazer. Como teoria política, o utilitarismo clássico implica, portanto, que "é obrigação das comunidades políticas formular políticas e instituições que promovam o prazer". O utilitarismo como um todo, argumenta Cochrane, representou um desafio à pressuposição medieval e moderna inicial de que nada se deve aos animais. Sua ênfase no bem-estar e na senciência, bem como seu caráter igualitário, permitem estender a justiça aos animais. As ideias de Peter Singer são delineadas. Cochrane defende a posição de Singer tanto contra os argumentos em favor do especismo quanto contra críticos (como R. G. Frey) que sustentam que os animais não possuem interesses. Em seguida, considera críticos utilitaristas de Singer, que argumentam que o consumo de carne maximiza a utilidade mesmo quando os interesses animais são levados em conta. Isso conduz à crítica de que julgar as melhores consequências é uma tarefa extremamente difícil para as comunidades políticas, mas Cochrane conclui que um consenso utilitarista ao menos sustenta a abolição da pecuária industrial. Por fim, aborda críticos que argumentam que a posição de Singer oferece proteção insuficiente para os animais. O argumento de Martha Nussbaum de que os animais podem sofrer danos imperceptíveis é considerado, assim como a crítica de Tom Regan de que, segundo Singer, os animais são protegidos apenas na medida em que sua proteção maximiza o bem-estar, e não por direito próprio.

Liberalismo O quarto capítulo trata do liberalismo, teoria política que, segundo Cochrane, tem como traço definidor a valorização do "indivíduo livre e igual". Cochrane concentra-se principalmente em John Rawls, cuja concepção de contrato social apresenta duas razões para a exclusão dos animais das questões de justiça básica: questões de reciprocidade, para as quais os animais não são adequados, e questões de pessoalidade, uma vez que todas as partes do contrato devem ser pessoas morais. Cochrane critica a exclusão dos animais por Rawls, antes de identificar os riscos que o pluralismo liberal representa para os animais. A possibilidade de uma abordagem rawlsiana que inclua os animais, como as propostas por Donald Van De Veer e Mark Rowlands, é considerada e rejeitada; Cochrane expõe os problemas de colocar questões de pertencimento a espécies por trás do véu da ignorância e apresenta as críticas fundamentais de Garner a Rawls. Versões modificadas de pessoalidade que incluem animais são discutidas. Cochrane encerra o capítulo argumentando que a pessoalidade e o bem-estar devem ser considerados importantes; ao fazê-lo, aponta para sua própria concepção de justiça para os animais.

Comunitarismo O quinto capítulo avalia a relação entre os animais e o comunitarismo. Os comunitaristas criticam o foco do liberalismo em um Estado que não interfere nos indivíduos, favorecendo, em contrapartida, uma ordem política que assume uma posição sobre questões morais, extraindo-a dos valores morais compartilhados por uma dada sociedade. Cochrane argumenta inicialmente que o comunitarismo, tomando a sociedade britânica como exemplo, pode ser utilizado para estender a justiça aos animais. Dedica o restante do capítulo a quatro argumentos contra essa linha de raciocínio. Em primeiro lugar, o comunitarismo é particularista; isto é, os princípios que proclama são inteiramente contingentes aos valores da sociedade em questão. Em segundo lugar, há dificuldades inerentes à identificação de valores "autênticos" em uma dada sociedade. Em terceiro lugar, as sociedades frequentemente favorecem alguns animais em detrimento de outros, deixando os animais desfavorecidos vulneráveis. Em quarto lugar, há a questão de quais valores, dentro de uma sociedade, realmente importam: os Estados costumam conter múltiplas comunidades com atitudes muito distintas em relação aos animais. A consideração dessa quarta questão envolve a análise do multiculturalismo.

Marxismo Cochrane passa a examinar, no sexto capítulo, o marxismo. Ao contrário das demais teorias políticas exploradas em An Introduction to Animals and Political Theory, o marxismo não se apresenta como uma abordagem normativa, mas como uma teoria científica que prevê e explica o fim do Estado e o advento do comunismo. Este é compreendido como a conclusão inevitável da história das formas mutáveis das relações econômicas. Cochrane delineia as descontinuidades entre humanos e animais existentes em Karl Marx e examina em que medida o pensamento sobre direitos animais constitui um exemplo de moralidade burguesa. Essas análises servem para ilustrar como o pensamento marxista pode ser utilizado para excluir os animais, mas contra-argumentos são apresentados. Cochrane recorre então ao trabalho de Catherine Perlow e Barbara Noske, que argumentaram que os animais podem representar um grupo explorado em sentido marxista, mas é crítico quanto ao argumento de que essa exploração é causada pelo capitalismo e de que a derrubada do capitalismo seria um passo necessário para se alcançar a justiça. Considera em seguida o trabalho de David Sztybel e Ted Benton, que recorreram ao adágio "De cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades" em relação aos animais; Cochrane mostra-se cauteloso quanto ao uso da expressão por três razões. Primeiro, não está claro o quanto a ideia é central no pensamento marxista; segundo, trata-se de um princípio aplicável apenas a sociedades em estágios avançados do comunismo; e terceiro, mesmo supondo que possamos conhecer as necessidades dos animais, o princípio implicaria a extensão da justiça para além dos animais sencientes, ideia que Cochrane rejeita. Por fim, Cochrane considera a proposta de Benton de que abordagens liberais baseadas em direitos para a justiça animal não podem alcançar seu objetivo e de que o marxismo pode ser utilizado como recurso para a conquista política. Esta é, para Cochrane, a contribuição mais importante do marxismo nessa área.

Feminismo

Cochrane examina o feminismo, última tradição analisada, no sétimo capítulo. Assim como o marxismo, o feminismo possui vínculos históricos com a libertação animal. Cochrane examina a suposta inter-relação, postulada por algumas teóricas feministas, entre a opressão dos animais e das mulheres, mas nega que a libertação de animais e mulheres sejam necessariamente interdependentes. Sugere que essa relação pode ser fundamentada de quatro maneiras. A primeira deriva de teóricas ligadas ao ecofeminismo, como Josephine Donovan: a tese de que a dominação das mulheres e dos animais se deve a uma elevação patriarcal do "racional" sobre o "natural". A segunda é o argumento de Carol J. Adams de que a associação entre o consumo de carne e a masculinidade serve para oprimir tanto as mulheres quanto os animais, de modo que a libertação de ambos dependeria do fim do consumo de carne. A terceira é que, conforme identificado por Adams e Catharine MacKinnon, mulheres e animais são vinculados e oprimidos por normas linguísticas. Por exemplo, as mulheres podem ser chamadas de vaca, cadela ou cachorra, o que serve para insultar tanto as mulheres quanto os animais. A quarta é o modo pelo qual tanto os animais quanto as mulheres são objetificados, tratados como meros objetos a serem utilizados para os fins alheios. Cochrane argumenta que as mulheres não são irracionais, embora os animais sejam menos racionais do que os humanos, o que significa que a opressão e a libertação dos dois grupos podem diferir. Ele contesta as afirmações de Adams sobre a carne, imaginando, por um lado, uma sociedade vegetariana mas misógina e, por outro, uma sociedade em que os gêneros são iguais mas o consumo de carne continua. Desafia as afirmações sobre a linguagem observando que alguns insultos de origem animal são neutros quanto ao gênero (por exemplo, rato, porco, ovelha), e que alguns termos depreciativos dirigidos às mulheres (por exemplo, bruxa, jezebel, prostituta) não têm relação com animais. Quanto à objetificação, Cochrane observa que as mulheres não são consideradas propriedade perante a lei, ao contrário dos animais, o que torna suas respectivas objetificações significativamente distintas. Em seguida, o autor refuta cinco críticas às abordagens baseadas na razão - representadas, para Cochrane, por Singer e Regan - à libertação animal, provenientes de pensadoras que apoiam abordagens feministas de cuidado, antes de apresentar e rejeitar uma abordagem emotiva e baseada no cuidado para a justiça animal.

Conclusão No capítulo final, Cochrane argumenta que cada escola tem uma contribuição importante a oferecer à justiça animal, especialmente o liberalismo e o utilitarismo. Apresenta então sua própria abordagem. Escreve que, embora hoje o debate sobre nossas obrigações políticas e morais para com os animais seja mais proeminente do que nunca, ele permanece à margem do diálogo central na teoria política. Encerra argumentando que essa negligência é um problema para a teoria política e que os animais têm direito à justiça. Se as teses do livro estiverem corretas, conclui Cochrane, as questões relativas ao tratamento dos animais deveriam ser consideradas algumas das mais urgentes questões políticas da atualidade.

Argumento central Cochrane argumenta que, embora cada uma das escolas de pensamento que examinou apresente problemas, todas têm algo importante a contribuir para o debate. A contribuição mais importante do utilitarismo é seu foco na senciência, mas sua principal falha é a ausência de respeito pelos indivíduos. O liberalismo, por sua vez, afirma a centralidade do indivíduo. O comunitarismo, embora seja demasiadamente propenso a atribuir coesão aos valores de uma dada sociedade, observa que os indivíduos só podem florescer no interior de comunidades adequadas e ressalta a importância de transformar os pontos de vista da sociedade em geral. Essa última ideia é compartilhada pelo marxismo, que aponta que a mudança jurídica não equivale necessariamente a uma mudança efetiva. Embora Cochrane não concorde que o capitalismo precise ser derrubado, reconhece que "transformações fundamentais na organização, nas normas e nas instituições da sociedade" são necessárias para que a justiça seja estendida aos animais. As abordagens feministas baseadas no cuidado, apesar das críticas de Cochrane, lembram-nos que as emoções e a simpatia não devem ser ignoradas. As simpatias de Cochrane situam-se mais fortemente no utilitarismo e no liberalismo; sua própria abordagem é mais influenciada por essas correntes. Ele argumenta que direitos derivados de considerações de interesses podem proteger os animais individualmente e impor limites ao que pode ser feito a eles. Esses direitos não podem ser violados, mesmo em nome do bem maior, o que implica que as práticas culturais e econômicas dos seres humanos serão afetadas. Antecipando críticas, Cochrane explica que nem todo interesse gera um direito. Uma consideração completa desse argumento está além do escopo do livro. O argumento foi desenvolvido em Animal Rights Without Liberation (2012), de Cochrane, que, embora publicado após An Introduction to Animals and Political Theory, baseou-se em sua tese de doutorado.

Recepção acadêmica

An Introduction to Animals and Political Theory foi resenhado por Garner para o Journal of Animal Ethics, pelo filósofo político Steve Cooke para a Political Studies Review e pelo sociólogo Richard Seymour para a LSE Review of Books. Além disso, foi resenhado por C. E. Rasmussen para a Choice: Current Reviews for Academic Libraries. Todos os quatro resenhistas manifestaram-se de forma amplamente positiva em relação à obra. Cooke recomendou-a para "leitores interessados tanto no status moral e político dos animais quanto na teoria política em geral", este último grupo porque a abordagem metodológica da obra permite que ela sirva como uma boa introdução à teoria política em sentido amplo. Seymour considerou o livro uma "visão geral refrescante e abrangente de uma questão altamente interessante". Garner afirmou que a obra merecia "alta recomendação"; considerou-a "um livro muito bom", no qual "Cochrane simplifica e sintetiza com maestria uma literatura vasta e complexa no espaço limitado de que dispõe, mantendo elevados padrões acadêmicos". Garner também elogiou o fato de o livro permanecer interessante, ao contrário de muitos livros didáticos. Rasmussen disse que o livro merecia "alta recomendação" para estudantes de graduação e pós-graduação, bem como para públicos não especializados.

A Palgrave Macmillan anunciou o livro com citações extraídas das resenhas de Cooke e Garner, bem como com citações de Daniel A. Dombrowski e Siobhan O'Sullivan. Dombrowski foi citado afirmando que o "livro será bem-vindo por todos os interessados na relação entre animais não humanos e a teoria política, uma relação que tem sido subexplorada pelos acadêmicos. Altamente recomendado!" Por sua vez, O'Sullivan escreveu:Se ao menos Cochrane estivesse escrevendo quando eu era estudante de graduação em ciência política! Mas o apelo deste livro não se limitará aos estudantes. Esta é uma das primeiras articulações abrangentes do que os valores políticos dominantes podem significar para os animais - algo de que a comunidade acadêmica precisava urgentemente há muito tempo. É uma ótima leitura e uma contribuição importante.Cooke considerou a própria abordagem de Cochrane "interessante e digna de consideração mais aprofundada" e julgou seus argumentos de apoio "convincentes", mas manifestou preocupação com o fato de a abordagem não ter sido examinada com a profundidade que merecia. Escreveu que An Introduction to Animals and Political Theory teria se beneficiado de um maior espaço dedicado à abordagem baseada em interesses. Além disso, Cooke observou que, ao abarcar uma gama tão ampla de posições, Cochrane teve de sacrificar a profundidade argumentativa; Cooke não considerou isso problemático, pois os leitores poderiam facilmente aprofundar o estudo dos autores citados. Seymour foi particularmente crítico da abordagem de Cochrane ao feminismo, que foi, em sua opinião, "uma infeliz lacuna em uma revisão que, de resto, é fascinante". Seymour argumentou que a crítica de Cochrane era superficial ou "perdia o ponto inteiramente". Em vez disso, sugeriu, as abordagens feministas oferecem uma perspectiva potencialmente muito produtiva sobre o tema. De modo semelhante, embora Rasmussen tenha elogiado os cinco primeiros capítulos do livro como "um recurso inestimável para estudantes de graduação ou acadêmicos iniciantes em teoria política", considerou que a cobertura de Cochrane sobre o marxismo e o feminismo era um tanto menos aprofundada. Em resposta a An Introduction to Animals and Political Theory, Garner levantou dois temas, o primeiro dos quais foi o uso do conceito de justiça. Concordando com Cochrane que o conceito é o traço definidor de uma abordagem política, em oposição a abordagens mais gerais de ética animal, Garner, no entanto, considerou a concepção de justiça de Cochrane "demasiadamente ampla e vaga". No livro, Cochrane considera a justiça para os animais como "reconhecer que o tratamento dos animais é algo que as comunidades políticas devem fazer cumprir pelo bem dos próprios animais". Para Garner,O problema com isso é que ele inclui argumentavelmente muito - pois implica que, uma vez que o Estado reconhece que temos deveres diretos para com os animais, que o que lhes fazemos importa para eles, as exigências da justiça estão satisfeitas. Isso significa que, com exceção daqueles que sustentam que temos apenas deveres indiretos para com os animais, todas as tradições que Cochrane discute podem reivindicar oferecer uma teoria de justiça para os animais.Além disso, Garner sugere que Cochrane é "talvez indevidamente acrítico em relação à utilidade do emprego da justiça como meio de proteger os interesses dos animais". Delineia duas maneiras pelas quais os animais poderiam ser protegidos sem serem destinatários de justiça: primeiro, poderiam ser-lhes devidos deveres diretos fora da justiça; ou, segundo, poderiam ser protegidos por meio de deveres indiretos, ou seja, protegidos em razão do que os seres humanos devem uns aos outros. Apesar de ter levantado esses temas em sua resenha de An Introduction to Animals and Political Theory, Garner rejeitou posteriormente ambas as possibilidades em sua própria obra, argumentando que os animais devem ser considerados destinatários de justiça. Rasmussen considerou que Cochrane utilizou uma concepção restrita do político, o que levou à exclusão do livro de uma série de perspectivas feministas, pós-coloniais e pós-humanistas. O segundo tema identificado por Garner foi a divisão entre teoria ideal e não ideal, que ele compreende como uma forma pela qual a teoria política pode ser utilizada para contextualizar a ética animal e avançar o debate. Em última análise, para Garner, a teoria de Cochrane funciona como um desafio ao abolicionismo, que, Garner teme, tanto polariza o debate quanto é irrealista. Os temas desta resenha foram desenvolvidos no livro de Garner de 2013, A Theory of Justice for Animals. No decorrer de sua resenha do livro, Garner aguardava com expectativa o lançamento do segundo livro de Cochrane, Animal Rights Without Liberation, que oferece uma defesa mais extensa da teoria dos direitos baseados em interesses.

Legado O Oxford Centre for Animal Ethics descreveu An Introduction to Animals and Political Theory como "o primeiro texto de nível introdutório a oferecer uma visão geral acessível sobre o status dos animais na teoria política contemporânea", enquanto comentadores assinalaram que foi uma das primeiras obras - livros anteriores sobre o tema tendo sido escritos por Garner e Nussbaum - a vincular a questão dos direitos animais ao conceito de justiça na filosofia política. Desde a publicação do livro, diversas obras que exploram os animais na teoria política foram publicadas; essas obras têm sido coletivamente referidas como pertencentes à "virada política" na ética animal/direitos animais, ou às disciplinas de "filosofia política animal" e "política animal". Tanto An Introduction to Animals and Political Theory quanto Animal Rights Without Liberation tornaram-se parte consolidada dessa literatura.

Formatos O livro foi publicado nos formatos brochura, capa dura e e-book.

Capa dura: Cochrane, Alasdair (13 de outubro de 2010). An Introduction to Animals and Political Theory. Basingstoke, Reino Unido: Palgrave Macmillan. ISBN 978-0-230-23925-8 Brochura: Cochrane, Alasdair (13 de outubro de 2010). An Introduction to Animals and Political Theory. Basingstoke, Reino Unido: Palgrave Macmillan. ISBN 978-0-230-23926-5 E-book: Cochrane, Alasdair (13 de outubro de 2010). An Introduction to Animals and Political Theory. Basingstoke, Reino Unido: Palgrave Macmillan. ISBN 978-0-230-29059-4. doi:10.1057/9780230290594

Notas

Referências

Bibliografia

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